quarta-feira, 10 de outubro de 2007

CAPÍTULO XI_A escrivaninha

Depois das últimas palavras do velho martelarem em sua cabeça, Zeh olhou firme até enxergar o ombro largo sair do galpão e passar pelo lado de fora da janela, à sua esquerda. Não pensou em mais nada. Olhou tudo ao redor, procurava por algum armário, baú ou estante que pudesse começar a vasculhar uns papéis. Apesar de ser uma serralheria, a oficina estava bem arrumada. Bargapo era um velho organizado, além do grande capricho que tinha com seus trabalhos, pregava também pela organização da oficina. Zeh suava. O medo de ser visto mexendo nas coisas poderia acabar com qualquer plano. Mais próximo, perto da guilhotina, uma escrivaninha igual a do seu quarto, começaria por ali. Eram duas gavetas pequenas na parte de cima e mais quatro gavetas com a largura do móvel em baixo.

Achou que se começasse por baixo poderia achar mais rápido o que queria. Colocou as duas mãos nos puxadores e abriu pela metade a gaveta do móvel marrom escuro. Tudo ali tinha poeira. Quanto tempo fazia que o velho não abria aquela gaveta?
No interior, muitos desenhos antigos, rascunhos, alguns lápis velhos e uma régua metálica de um tamanho exagerado. Percebeu que ali não encontraria nada. Levantou um pouco a coluna e puxou a penúltima gaveta, a de cima e a primeira gaveta grande. Estavam todas vazias. Só lhe restava as duas gavetas menores. Não acreditava que poderia encontrar algo de um jeito tão óbvio assim. Era teimoso, não ia desistir. Puxou as duas gavetas de uma só vez. Na esquerda, uma caixa preta, alicates, chaves de fenda de todos os tamanhos e alguns parafusos. Olhou para a direita. Algumas contas, mais papéis.

Ficou intrigado com a caixa preta. Tirou-a da gaveta e a apoiou na escrivaninha. Estava fechada, teria que procurar alguma forma de abrir aquela caixa. Não estaria fechado sem motivos. Pegou uma chave de fenda para arrombar a caixa preta, decorada com couro. Enfiou a ponta entre as duas partes, nada da caixa abrir. Foi do lado esquerdo até o direito passando a ponta entre a parte de cima e de baixo da caixa. Do lado direito, um botão branco, como um interruptor de luz. Apertou, ouviu um estalo. A parte de cima subiu ligeiramente, estava ansioso para abri-la. Dentro da caixa, mais uma pegadinha do velho. Tinha um papel, aquele mesmo papel que Bargapo usava como rascunho. Ele leu.

“Meus banhos não costumam ser demorados”.

3 comentários:

Anônimo disse...

O Jhoones..vou te bater auehuahe...cada diaa que acho que vou descobrir algo mais... vc deixa claro que nãoo...aehaue!! AFf!!!
EE muito fuxiqueiro o zeh heem... :)
beeijooo

Fábio disse...

To escrevendo também! hehehe!

http://www.cenariocritico.blogspot.com/

teo netto disse...

tem como você me mandar os capitulos anteriores por e-mail?